Era mais uma vez outra vez

Era mais uma vez outra vez

Era mais uma vez outra vez

Edições SM

1ª edição (2007) - 13ª reimpressão (2014)
2ª edição (2015) – 4ª reimpressão (2016)

Coleção Barco a Vapor – Série Azul
Ilustrações de Gonçalo Cárcamo
64 p. 12 X 19 cm

  • Prêmio Barco a Vapor 2006
  • Altamente Recomendável – FNLIJ 2007
  • Seleção FNLIJ Catálogo da Feira de Bolonha 2008

Após muito tempo esquecido na estante de uma biblioteca, um livro de contos de fada é retirado por uma menina. O narrador se alarma ao perceber que a história não é a mesma. O reino mudou de nome. O rei sumiu. A princesa se apaixona pelo dragão. Ele vai atrás dos personagens para colocar a história em ordem antes de a garota ler as primeiras linhas. Final inusitado em que um enigma terá de ser decifrado.

  • +Vídeo na web comemora os 5 anos do Prêmio Barco a Vapor no Brasil - 19/9/2009

    Content #1 comes here

  • +Pluricom Comunicação Integrada, São Paulo (SP)

    Content #2 comes here

  • +O Globo (Caderno Prosa & Verso) - resenha publicada em 02/06/2007

    Narrativa contemporânea renovada
    Glaucia Lewicki propõe desafios e cria livro no qual o leitor é também o autor

    Era mais uma vez outra vez
    Glaucia Lewicki
    Ilustrações de Gonzalo Cárcamo
    Edições SM – 96 páginas – R$20,00

    *Paulo Bentancour

    Os críticos que fiquem mais atentos. Tem gente escrevendo para crianças (aliás, desde o século VI a.C., na Grécia, na figura de Esopo) com uma importância literária a merecer atenção e rigor interpretativo. Nesse tempo todo, sem jamais tirar férias, lado a lado com a literatura cuja natureza tem a ambição estética mais explícita – a destinada aos adultos – , uma listagem bem significativa de autores dedicou-se, ao longo dos séculos, a produzir poemas, contos e novelas para uma faixa etária que, de tão pequena, tem sido subestimada pelos ensaístas e resenhistas de plantão.

    A nitoreiense Glaucia Lewicki, ganhadora da edição 2006 do Prêmio Barco a Vapor, concurso com dotação de R$30 mil, promovido pela filial brasileira da editora espanhola SM, é uma prova de que a tese acima é de fácil comprovação. Recém-lançada, sua novela “Era mais uma vez outra vez” pega de surpresa o leitor porque, para começo de conversa, pega de surpresa o próprio livro que estamos lendo. Como?!

    O procedimento é metalingüístico: um livro, depois de muito tempo esquecido na prateleira de uma biblioteca é retirado por uma menina. Há muito não era lido por ninguém. Reduzido à sua solidão de obra rejeitada, o livro, um mundo encerrado e esquecido, foi se desorganizando aos poucos. Quando a menina o retira e se prepara para lê-lo, o narrador da história entra em pânico. É preciso, e urgente, pôr o caos em ordem. Recuperar a antiga aventura. Deixar todos e tudo a postos para quando a leitora abrir as páginas do livro que vai ler.

    O Reino da Calibúrnia, cenário da história, agora virou Reino de Anascar, é o que o narrador vai, desesperado, constatando. O rei vendeu o antigo reino ao dragão e retirou-se para uma praia. O príncipe Sapristo, que antes lutava com o dragão, vencia-o num combate mortal e se casava com a princesa, agora está separado da moça. E não está disposto a lutar por uma donzela que, segundo ele, nunca o amou. O dragão não admite se desfazer do reino e muito menos voltar a ocupar seu antigo lugar e papel. Aliás, está de olho na princesa, a quem pretende desposar.
    Há humor nessa anti-lenda. Há uma clara renovação tanto dos processos de construção narrativa quanto na forma de tratar os elementos que em regra estabelecem um quadro épico e fantasioso envolvendo reinos, reis, príncipes, princesas, dragões, lutas e amores eternos. Glaucia embaralha tudo isso. Cada figura experimenta uma nova sensação, ocupando um papel inesperado.

    O consagrado (e desgastado) “era uma vez” serve então para um jogo de inversões: não era mais uma vez. Desta vez é outra vez; desta vez acontece uma aventura que torna o vilão herói e o herói, vilão. Desta vez, quando a leitora (que acaba personagem da história – outro dos achados de Glaucia) abre o livro, o que ela vai ler não é o mesmo que antigos leitores leram nas mesmas páginas. Sem que ela soubesse (só o leitor sabe disso; e o narrador, que também acaba personagem, outra das invenções da autora), lhe é narrada uma história estranha, diferente de tudo o que ela até então tinha lido no gênero.

    “Era mais uma vez outra vez” põe no bolso centenas de textos que convocam reinos com tais personagens. Põe no bolso (e no colo) o leitor para qual o livro é dedicado. Põe no bolso o crítico, aquele que quase nada espera do gênero infanto-juvenil, a maciça maioria dos nossos críticos, que fazem papel de dragão antigo, tocando fogo em tudo, sem antes verificar a fundo as possibilidades do que se apresenta diante deles.

    *Paulo Bentancour é escritor, crítico e jornalista.

  • +Dobras da leitura - resenha

    Glaucia Lewicki
    il. Gonzalo Cárcamo
    Edições SM, 2007
    96 pp.

    De repente, o narrador de uma velha história sente uma nova emoção: o livro de conto de fadas onde mora, anos e anos esquecido e empoeirado na estante, é decididamente retirado dali por uma pequena leitora.

    Já não era sem tempo, relembrar e contar mais uma vez a narrativa da casa! E, como o narrador é quem deve fazer as honrarias de abrir a história para os leitores, ele bem sabe que deve conferir se está tudo em seus devidos lugares e os personagens prontos para entrar em cena.

    Mas, às primeiras linhas, viu que o “era uma vez” não era mais coisíssima nenhuma do que fora, outrora, e deveria ter sido, para todo o sempre. Pulando de página em página, antes que o livro fosse aberto, o narrador descobre um mundo totalmente diferente daquele em que havia deixado os personagens, desde a última leitura. Cada um se arranjou com destinos particulares — e está armada a confusão!

    Um famoso, distinto e famigerado Dragão de Sete Asas (que, na verdade, nem eram sete, ho-ho), nesse meio tempo, comprou o castelo do rei e mudou o nome do reino! O rei, ora essas, vai muito bem, obrigado, longe do manto real…

    A Princesa Priliana de olhos adoráveis tem ainda olhos adoráveis — mas onde foi parar? Somente Sapristo, aquele monte de músculos e pouco cérebro que era o príncipe, continua tão inteligente e forte quanto antes.

    Glaucia Lewicki não apenas atrai o interesse para uma história descontraída em que os personagens dos contos, cansados dos papéis tradicionais, dão tratos à bola para viver com bem entendem. Esta foi uma tendência ao gosto da década de 1970, questionando valores do passado. A autora traz ao texto a irreverência da metalinguagem que colore de contemporaneidade outros aspectos: ironiza o status do narrador, pondo em cheque sua onisciência, considera o lugar que o leitor ocupa em relação às obras e dá evidência ao livro, ora cenário, ora simples suporte.

    Nomeado cavaleiro, Sir Narrador sofre e, mesmo sentindo-se contrariado, deve contar que o “caranguejo foi buscar a lua em outra página” aos leitores de hoje — outras vezes, passagens assim pontuam o exemplar desse exemplar “era mais uma vez”.

    E Cárcamo não fez por menos: dobras de páginas e sombras se insinuam do livro real à ficção.

    Comentários de Peter O’Sagae
    Dobras da Leitura

  • +Folha de Pernambuco - resenha publicada em 11/04/2007

    Obras infantis para os leitores mais exigentes

    Júlia Veras

    Será que depois de anos em uma estante, sem ser lida por ninguém, uma história ainda é a mesma? E o leitor, pode interferir no resultado final da obra? Esses questionamentos são levantados no livro “Era Mais uma Vez Outra Vez”, de Glaucia Lewicki e com ilustrações de Gonzalo Cárcamo. A obra ganhou o prêmio Barco a Vapor 2006, e é indicado para leitores de oito a nove anos.

    A ação começa com uma menina que escolhe um livro, entre as centenas disponíveis nas estantes de uma biblioteca. Felicíssimo depois de anos de ostracismo, o narrador do livro começa a organizar os personagens para que eles tomem seus postos. Mas eis que de repente… toda a narrativa está uma grande bagunça, com personagens fora do lugar, e sem vontade de participar da trama!! O reino da Calibúrnia não existe mais, a princesa é amiga do dragão, e acha muito violento e antiecológico que ele morra no final. Desesperado com a possibilidade da leitora abrir o livro e encontrar uma verdadeira confusão, o narrador muda o enredo, retirando dele uma série de clichês. Então, é proposto um novo desafio para resolver a história: Em vez de lutar com o Dragão, o Príncipe terá de resolver um enigma para vencê-lo. Quebrando velhas fórmulas, a autora proporciona uma leitura criativa e estimulante, com uma surpresa no final.

  • +Armazém Literário- resenha

    Eu sou o senhor do castelo
    por Fernanda Garrafiel

    Era mais uma vez outra vez
    Autor: Glaucia Lewicki
    Ilustrador: Gonzalo Cárcamo
    Edições SM

    Era uma vez uma linda princesa, que vivia com seu velho pai em um reino distante. Certo dia, enquanto passeava em seu jardim encantado, a princesa foi seqüestrada por um horrendo dragão de sete asas, que a prendeu em uma gruta no Lago Sombrio. Assim que soube do ocorrido, o príncipe galante partiu em seu cavalo para salvar a princesa. Depois de uma luta valente, o príncipe venceu o dragão e salvou a princesa. Os dois voltaram para o reino encantado, casaram-se e viveram felizes para sempre… Pára tudo! Você já ouviu esta história milhares de vezes? Seu cérebro infantil quase derreteu para guardar o nome de todas as princesas raptadas e salvas por seus príncipes? Pois Era mais uma vez outra vez, de Glaucia Lewicki, tem todos os ingredientes de um conto de fadas pasteurizado: a princesa, o príncipe, o dragão malvado, o reino. Mas garanto que você nunca leu a história dessa forma.

    Depois de muitos anos esquecido numa prateleira de biblioteca, um livro de conto de fadas é finalmente descoberto por uma pequena leitora. Animado com a novidade, o narrador prepara-se para recontar a história, mas… está tudo virado de cabeça para baixo! Depois de anos esquecido, o dragão comprou o reino do rei, a princesa suspira por um antigo amor, o acéfalo príncipe só quer saber de malhar. Cabe ao pobre narrador pôr em ordem a bagunça, antes que a leitora abra as páginas do livro.

    Glaucia Lewicki desenrola este imbróglio, desconstruindo o conto de fadas de forma inventiva e muito divertida. Repleto de tiradas hilárias, que arrancarão muitas risadas do leitor, Era mais uma vez outra vez descortina uma narrativa inovadora, com uma linguagem fácil e acessível ao seu público alvo, o infanto-juvenil.

    Ao acompanhar o desenrolar do livro abandonado, o jovem leitor despertará para a importância de não deixar um livro morrer na prateleira. Livro vivo é livro lido, e Era mais uma vez outra vez incentiva o leitor a remexer os cantos escuros de sua biblioteca para trazer à vida histórias esquecidas.

    Para arrematar a edição, os desenhos do ilustrador chileno Gonzalo Cárcamo emolduram as páginas da história, conferindo riqueza visual ao livro. Nas mãos do artista, o a bagunça do reino ficou encantadora.

    Com Era mais uma vez outra vez, Glaucia Lewicki ganhou o prêmio Barco a Vapor de 2006, promovido pelas Edições SM. O livro foi escolhido por um júri formado por nomes como Moacyr Scliar e Tânia Rösing, concorrendo com centenas de outros autores. O resultado, você pode conferir nas livrarias.