Sobre a autora

Nasci em uma sexta-feira 13 de muita sorte, no mês de fevereiro do ano de 1970, em Niterói, no estado do Rio de Janeiro.

Cresci em uma família de educadores e aprendi, desde cedo, o valor do conhecimento e do domínio da palavra. Desde criança, inventava histórias, mas não sabia ao certo o que seria quando crescesse; desde que pudesse conhecer um pouco sobre muitos assuntos diferentes e escrever sobre eles, eu estaria feliz. Por isso, sou formada em Comunicação Social pela PUC-RJ. Também já fiz pós-graduação em Comunicação e Imagem, Administração Escolar e História do Brasil.

Dizem que quando era bem pequena, cheguei a falar que seria escritora como minha tia, autora de diversos livros didáticos e alguns infantis. Mas a minha carreira de escritora só começou mesmo muito tempo depois, no ano de 2003, com a publicação do meu primeiro livro, Coelhos na Cartola, dedicado ao público infantil.

Em 2006, com o texto Era mais uma vez outra vez, obtive o Prêmio Barco a Vapor, um dos mais importantes do mundo para textos inéditos. Esse livro foi lançado em 2007 e conquistou muitos leitores, confirmando que o meu sonho de infância – escrever – era possível.

Atualmente, tenho livros publicados por diversas editoras. A cada um deles aprendo um pouco mais sobre muitos assuntos – filosofia, violinos, latim, máquinas voadoras, museus brasileiros, contos de fadas, brinquedos, relacionamentos humanos, cidades e fatos históricos, política e dragões. Cada livro novo representa o desafio de conquistar novos conhecimentos, mas também o prazer de abrir novas portas e criar elos com novos leitores.

  • +Artigo Revista Panorama Editorial

    “quantos de vocês conseguiram realizar um sonho de infância?”

    Segunda-feira, 28 de agosto de 2006. Em um auditório lotado, com um dos troféus para textos inéditos mais cobiçados do mundo das letras nas mãos, tomada pela surpresa, minhas palavras de agradecimento soaram não como um desafio, como poderia parecer à primeira vista, mas, sim, como uma certeza. Eu havia acabado de conseguir algo que é muito mais difícil do que parece.

    Apesar de sempre ter sido fascinada pela leitura, ao ponto de aparecer em diversas fotografias do tempo de criança agarrada a livros ou revistas em quadrinhos, não aprendi a ler antes da hora. Não deduzi sozinha, de forma prodigiosa, como as letras se juntam para formar as palavras. No entanto, muito antes de pegar em um lápis para rabiscar meus primeiros as e colocar os primeiros pingos nos meus is, eu já havia traçado meu caminho de escritora. Só nunca imaginei que aquilo que costuma ficar, cada vez mais, apenas na memória dos desejos não realizados, pudesse se materializar.

    Ainda bem pequena, eu já dizia a uma tia, autora de livros infantis que, quando eu crescesse, queria escrever livros como ela. Vieram as reinações, as viagens ao céu, voltas e mais voltas ao mundo em muito mais do que oitenta dias. Passei férias com as meninas exemplares, tive aulas de horizontologia com uma fada iluminada, aprendi que a lua é flicts e, por fim, guardei em uma bolsa amarela uma das minhas maiores vontades: escrever livros como a minha tia e todos os outros escritores que habitavam minha prateleira. Na verdade, acho que a enorme vontade de ser escritora só coube na minha bolsa amarela porque com o tempo foi murchando e ficando meio esquecida, meio escondida. Afinal, ninguém me explicou como é que se fazia para virar escritora. Para ser sincera, eu também não me lembro de ter perguntado.

    Algumas histórias rabiscadas em cadernos, um trabalho com crianças, uma vontade nunca totalmente adormecida de contar histórias, mesmo que para mim mesma, a coragem de começar a inscrever textos em concursos literários e de ouvir as negativas de praxe das editoras, foram me levando de volta ao caminho traçado, mas nunca trilhado, pela menina que queria ser escritora. Trinta anos depois de começar a me encantar com meus primeiros contos de fadas, de freqüentar um certo sítio, repleto de jabuticabeiras, e escrever minhas primeiras histórias, eu me vi, então, em um auditório lotado, sentindo, pela primeira vez, que eu não havia me perdido pelo caminho, mesmo sem nunca ter possuído um mapa que me levasse até ali. Tão segura me senti, naquele momento, das escolhas que fiz para minha vida que, no lugar de um discurso convencional, fiz apenas uma pergunta:

    “Quantos de vocês conseguiram realizar um sonho de infância?”

    E, diante do silêncio da platéia, eu mesma, orgulhosa, respondi:

    “Eu consegui”.

    Àquela altura, eu já tinha alguns livros publicados de forma tradicional – desde o primeiro deles, estava decidida a não tomar atalhos, financiando edições particulares. Quis trilhar o caminho mais árduo que pode trilhar um autor, mesmo me arriscando aos arranhões e fadiga inerentes a esse tipo de jornada. Ver um livro publicado, portanto, já não era mais novidade, quando recebi meu prêmio. Mas ver meu trabalho reconhecido e acolhido pelo meio que sempre me fascinou, sim. E, apesar do prêmio ser um reconhecimento da habilidade da minha escrita e da inventividade e da bem-vinda falta de limites da minha imaginação, naquele momento mágico, com o troféu nas mãos, foi como se todas as leituras de uma vida inteira estivessem ali; não é à toa, certamente, que ele é representado por um leitor, uma criança, eternizada em bronze, lendo, em cima de um cubo transparente, onde todos os sonhos do mundo são visíveis. E, em algum lugar além do arco-íris, também possíveis.

  • +Artigo Revista Ideia

    Um convite à vida

    Meu quadro preferido está no Museu do Prado, em Madri. As Meninas, de Velásquez é, para mim, uma das pinturas mais originais e significativas da história da arte. Sim, existem várias pinturas que rivalizam, ou chegam mesmo a sobrepujar o mestre espanhol em importância no que se refere à técnica ou mesmo ao rompimento com os padrões estéticos então vigentes. Mas a multiplicidade de leituras oferecida neste quadro coloca o mestre espanhol ao lado dos gênios, fazendo-o ultrapassar a linha tênue que separam estes dos apenas grandes pintores.

    As Meninas, pintado em 1656, é um dos mais fantásticos retratos já feitos. Para começar, o objeto principal, a Infanta Margarida, ocupa apenas uma pequena parte da cena, cercada de figuras secundárias. Ao seu lado, temos o próprio pintor que, em um ousado auto-retrato, encara o espectador. A tela que o Velásquez auto-retratado está pintando encontra-se totalmente virada para ele. Seu olhar está voltado para nós e, em um átimo, temos a sensação de estarmos sendo retratados pelo artista. Mas o que estaria pintando, afinal de contas, o pintor do quadro, se ele não está a olhar para o verdadeiro objeto da pintura, a Infanta Margarida? A resposta vem lá do fundo, refletida no que seria um pequeno espelho: Velásquez estaria pintando os reis de Espanha, que não aparecem na pintura, a não ser como uma distante miniatura enevoada. Eles estariam posando, na verdade, onde nós, que olhamos o quadro, estamos. De onde se conclui que o objeto principal da pintura é a princesinha – só que o pintor do quadro estaria pintando seus soberanos e, nas entrelinhas, também aqueles que admiram sua obra.

    Michel Foucault, em seu As Palavras e as Coisas, já falou mais e melhor sobre o magnífico jogo de espelhos que é As Meninas. Pablo Picasso já revirou o quadro pelo avesso, em uma série de releituras de tirar o fôlego. Mas o que importa aqui é, simplesmente, o jogo que Velásquez nos propõe. O mestre nos convida a participar do quadro; seja na pele dos reis de Espanha, seja em nossa própria pele, a de leitores. Leitores de imagens, leitores de mundo. Assim é uma boa obra; aquela que marca não apenas a história da arte, mas também a história do indivíduo – aquela que, afinal, nos convida a participar, não apenas dela, mas também da própria vida, através das nossas interpretações de mundo e de atos e decisões nascidos dos conceitos apreendidos, em geral de forma gradativa e inconsciente, de suas leituras.

    Como fazer, no entanto, um leitor participar de uma obra e, por extensão, da vida? Como fazê-lo acreditar que vale a pena aceitar o convite? Mais ainda: como fazê-lo acreditar que aceitá-lo é primordial para fazer valer a sua condição humana, naquilo que ela tem de mais específico – o domínio e a disseminação do saber através da criatividade, da comunicação, da leitura e da escrita e seu uso como um objeto de transformação pessoal e social?

    A chave para responder a estas aparentemente complexas questões pode estar, com toda simplicidade, no prazer que a leitura proporciona. Não se tome aqui, por prazer, apenas temas amenos e ligeiros – a satisfação do leitor começa muito antes, como no caso da literatura, do livro ser aberto. Nasce com o costume ancestral de contar e ouvir histórias, e se estende para pontos aparentemente secundários como a capa e a diagramação. O homem é, por excelência, um animal leitor. Ler textos, imagens e o mundo que nos cerca é algo que colore nossa existência, transcendendo a nossa luta diária pela sobrevivência para nos fazer maiores e mais fortes, aptos a usufruir dos encantos e enfrentar os desencantos do dia-a-dia. Ao nascer, somos introduzidos, aos poucos, ao mundo que nos cerca – e a nossa capacidade de desdobrá-lo em interpretações múltiplas, cada vez mais ricas e complexas, dependerá da nossa crescente formação de leitores. Por isso, despertar o prazer da leitura, ainda na mais tenra infância, é fundamental.

    Pessoalmente, nunca recusei leituras, já que sempre tive a liberdade de terminá-las ou então abandoná-las antes da página vinte. Quadrinhos, clássicos da literatura infanto-juvenil, revistas de notícias semanais, romances de jornaleiro, tudo isso fazia parte da minha vida de leitora quando criança. O único senão em meu livre arbítrio eram as leituras obrigatórias da escola. Repito: obrigatórias. É neste ponto, o da obrigatoriedade, que muitos leitores são apresentados aos livros como fonte de inesgotável prazer; mas também é neste ponto que muitos recusam, definitivamente, o convite para embarcar no mundo mágico da leitura.

    Se o leitor tem a sorte de encontrar, no início de sua caminhada, professores ou coordenadores que adotem e saibam trabalhar com obras poéticas, instigantes e, acima de tudo, prazerosas, ele tem tudo para ser não apenas um leitor feliz, mas também apto para compreender e enfrentar o mundo em que vive. No entanto, o trabalho de aproximar livros e leitores não pode se esgotar na infância – é tarefa para toda vida. Quem não se recorda, talvez até mesmo em meio a calafrios, da leitura dos clássicos da literatura na adolescência? Neste caso, a obrigatoriedade pode tornar-se um pesadelo. O que ajudaria a construir um leitor, então? A liberdade de escolha ou a obrigatoriedade da leitura?

    A resposta é ambos. A liberdade de escolha, aliada à orientação, sempre que necessária, mais a eventual obrigatoriedade, podem produzir excelentes resultados. A responsabilidade repousa, pois, nas figuras-chave que orientam a escolha da leitura ou que fazem dela trabalho obrigatório, como os pais e professores. Mas para que esses agentes da leitura se aproximem o máximo possível do êxito, facilita muito que sejam amantes da mesma. Afinal, formar leitores sem ser leitor é uma façanha. Exige demonstrar uma paixão que não se sente e um fascínio e respeito pelo livro que, no caso, não existe.

    É preciso ter em mente que observar o prazer proporcionado aos pais pela leitura basta, muitas vezes, para iniciar a formação de um leitor. O brilho nos olhos, a respiração suspensa, o dedo na expectativa da virada da página… Tudo isso desperta um enorme encantamento na criança, além da ânsia de penetrar naquele mundo misterioso, repleto de prazer. O mesmo vale em sala de aula. Quantas vezes, mesmo sem sermos afeitos a determinadas matérias, não vemos, através da paixão demonstrada por determinado professor, ateado o fogo de nossas próprias e ainda indefinidas paixões?

    Agentes da leitura como pais e professores são marcantes na vida de um leitor – e quando, por alguma triste razão de cunho social ou econômico, suas atuações não se completam, é preciso que uma parte se desdobre para cobrir a outra. Na maioria destes casos, esta tarefa recairá sobre o professor. Caberá a ele convidar o aluno a participar do mundo da leitura. Daí a importância da paixão estar sempre presente, bem como a multiplicidade de leituras: histórias de detetive, de terror, de aventura, de amor, poesias, mitos, lendas e o cotidiano daqui e do mundo todo devem estar sempre ao alcance da mão e, principalmente, do coração. A indicação do professor torna-se mais valiosa na medida em que ele também acolhe, com respeito, as escolhas de seus alunos, pois cada narrativa atingirá um leitor de modo único e especial.

    Enfim, o convite para embarcar no mundo da leitura será aceito pelas mais diversas e insondáveis razões. E não se espantem os pais e mestres se, mesmo depois do convite aceito, a leitura for abandonada pela metade. Também está entre os direitos do leitor não ler, ou ler até o ponto que desejar. O importante é que os convites sejam, cada vez mais, abundantes e atraentes. Em alguma hora, o leitor ficará até o fim da festa. E ficará de novo, e mais uma vez, até que ler seja, para ele, uma tarefa tão essencial quanto respirar, e que as idéias dali surgidas façam da sua participação na vida algo especial, memorável; uma obra única, inimitável, um genial jogo de espelhos e leituras.

  • +Livros - Listagem completa

    Coelhos na Cartola
    Franco Editora (2003)
    Relançado com mesmo novo em nova edição (texto e ilustrações) em 2016

    Paloma
    Franco Editora (2005)
    2ª edição (2008)

    As Três Fadas e Cinderela
    Franco Editora (2005)
    Fora de catálogo
    Relançado como Encantos e Encrencas com a Cinderela (Editora Gryphus)

    O Mistério da Conspiração Esquecida
    Franco Editora (2006)
    2ª edição (2007)
    3ª edição (2010)
    3ª edição-1ªreimpressão (2014)

    O Pião do João
    Franco Editora (2006)
    2ª edição (2009)

    O Livro do Amor de Júlia e Tomás
    Editora Salesiana (2007)
    2ª edição (2009)
    Esgotado – relançado pela Editora Dimensão em 2014

    O Enigma do Museu Mariano Procópio
    Funalfa e Franco Editora (2007)
    2ª edição – Franco Editora (2008)
    3ª edição (2012)

    Era mais uma vez outra vez
    Edições SM (2007)
    1ª edição (2007) – 13ª reimpressão
    2ª edição (2015) – 4ª reimpressão
    O Segredo da Sala da Rosa
    Franco Editora (2007)
    2ª edição (2013)

    A Boneca da Teca
    Franco Editora (2008)
    2ª edição (2010)

    Uma aventura no Museu Histórico Nacional
    Franco Editora (2008)
    2ª edição (2013)

    A Fonte dos Desejos
    Editora Salesiana (2009)
    Esgotado

    O Mistério dos Sete de Ouros
    Franco Editora (2009)

    O Segredo do Catetinho
    Franco Editora (2010)

    Era uma vez no Brasil holandês
    Editora Salesiana (2010)
    Esgotado

    Encantos e Encrencas com a Branca de Neve
    Editora Gryphus (2011)

    O Senhor dos Dragões
    Franco Editora (2011)/2ª edição (2014)

    Encantos e Encrencas com a Cinderela
    Editora Gryphus (2012)

    Uma luz na escuridão
    Mundo Mirim (2012)
    Fora de catálogo

    A Família Gênio e a Máquina Voadora
    Franco Editora (2012)

    O desafio do Museu da Língua Portuguesa
    Franco Editora (2014)

    O Livro do Amor de Júlia e Tomás
    Editora Dimensão (2014)

    A Liga dos Dragões Extraordinários
    Editora Dimensão (2017)